
Ricardo Carrilho versus Luís Neves, O mérito está na lista de contactos
Ricardo Carrilho deixou o cargo de secretário-geral do MAI por decisão de Luís Neves, que anunciou Nuno Parreira da Silva para o substituir. Carrilho acusa o ministro de pressões; o Ministério rejeita as acusações e invoca quebra de confiança. O Tzé Polvinho acompanha a polémica com preocupação: nunca imaginou que a confiança fosse uma peça tão delicada da Administração Pública — e aparentemente sem garantia. dn.pt
Uma nomeação, por si só, não demonstra clientelismo. Mas o Tzé gostava de perceber onde acaba a confiança necessária para trabalhar e começa aquela confiança especial de quem já sabe onde o chefe estaciona. No seu ministério imaginário, o concurso exige currículo, experiência e capacidade de iniciativa. A iniciativa mais valorizada consiste em conhecer alguém que conhece alguém antes de abrir a candidatura.
O cidadão comum chega com diplomas, certificados e uma pasta que precisa de rodas. O candidato com boas relações traz o telemóvel, cumprimenta o segurança pelo nome e pergunta se pode subir. Ao primeiro pedem comprovativos; ao segundo oferecem café. O Tzé começa a desconfiar de que anda a investir na formação errada: fez informática, quando devia ter feito almoços.
Entre explicações sobre reorganizações, confiança e novas orientações, o contribuinte quer saber os critérios, os resultados e quem responde pelas decisões. O Tzé exige transparência, mas transparência a sério: ver como se escolhe, não apenas ver quem ficou sentado. Depois guarda os diplomas e prepara uma candidatura de uma página. Na experiência profissional escreve: «Ainda não conheço ninguém, mas aprendo depressa.»
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