cerveja mini
Cerveja Mini no tamanho, grande na conversa

Há quem peça uma cerveja e receba uma caneca que exige preparação física. O português olha para aquele aquário com espuma e pergunta se vem acompanhado de licença de pesca. O Tzé Polvinho prefere uma mini: cabe na mão, chega fresquinha e não obriga ninguém a fazer musculação antes dos tremoços. Para ele, uma cerveja com pega já está perigosamente próxima de ser uma ferramenta.

A mini tem ainda uma vantagem diplomática: permite anunciar «vou só beber uma coisinha», com a inocência de quem vai buscar salsa à vizinha. O problema começa quando a conversa cresce e a coisinha ganha sucessoras, todas apresentadas como acontecimentos independentes. O Tzé não pede outra cerveja: abre um novo capítulo. E, como qualquer escritor português, tem dificuldade em acabar o livro.

Na esplanada, um visitante ergue a sua caneca monumental e pergunta por que razão bebemos cerveja em garrafinhas tão pequenas. O Tzé explica que é para não aquecer, num tom científico que faria supor um doutoramento em refrigeração de balcão. Depois acrescenta que uma caneca daquelas ocupa o espaço dos tremoços e tapa a vista para a televisão. Há prioridades que uma pessoa precisa de esclarecer logo no início das relações internacionais.

O visitante continua às voltas com a primeira caneca enquanto o Tzé discute o futebol, o tempo e a maneira correcta de descascar um tremoço. Quando chega a conta, a colecção de caricas ameaça desmentir a modéstia das garrafas. Ele observa os dois recipientes e mantém a superioridade técnica: «Vocês bebem à caneca; nós bebemos às prestações. O problema é que o empregado quer receber tudo de uma vez.»

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