gasolina


Atestar ou não atestar, eis a aflição

Em Portugal, o fim-de-semana já não se organiza pelo estado do tempo: organiza-se pelo estado da gasolina. Antes de decidir se vai à praia ou visitar a sogra, o cidadão consulta a previsão dos combustíveis, como quem espera notícias de uma operação delicada. Se sobe na segunda-feira, corre à bomba no domingo; se desce, conduz com a reserva acesa e uma fé que nem em Fátima se encontra.

Para a próxima semana, as previsões apontam para gasolina a subir e gasóleo a descer. Até os combustíveis parecem um casal zangado: um vai para cima, o outro para baixo, e quem paga a terapia é o automobilista. O Tzé Polvinho já anda a estudar se pode abastecer metade do carro com cada um, para equilibrar o orçamento — o mecânico é que ainda não aderiu à ideia.

Entretanto, tornámo-nos especialistas em petróleo, câmbios e mercados internacionais, embora continuemos sem perceber a factura da electricidade. Há quem faça quinze quilómetros para poupar dois cêntimos por litro e regresse satisfeito, com uma economia de oitenta cêntimos e três euros gastos na viagem. É a matemática patriótica: perde-se dinheiro, mas ganha-se uma história para contar no café.

O Tzé mantém a serenidade: «Eu meto sempre vinte euros!» Diz aquilo com a autoridade de quem resolveu a crise energética durante o pequeno-almoço. Só estranha que o carro agora peça abastecimento antes de chegar ao destino. Qualquer dia, os vinte euros chegam para tirar a mangueira do suporte — o combustível paga-se à parte. by Tzé Polvinho 2026

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