
Cristiano, Jesus e o Espírito Santo da Federação Portugal conseguiu finalmente criar uma modalidade mais emocionante do que o futebol: descobrir se Cristiano Ronaldo joga quando Jorge Jesus diz que joga, sobretudo quando depois não joga. Pelo meio está a Federação Portuguesa de Futebol, instituição cuja função nestes momentos parece ser explicar que está tudo normal enquanto alguém procura discretamente o extintor. Cristiano diz que houve palavra dada, Jesus garante que não existe problema e a Federação tenta manter a família unida. É praticamente um almoço de Natal português, só falta uma tia perguntar quando é que Cristiano casa outra vez. Segundo Cristiano, houve promessas, conversas, aquecimento e duas quebras de palavra. Ou seja, material suficiente para um processo de divórcio, mas aparentemente insuficiente para garantir meia hora de futebol. Cristiano aqueceu para entrar e acabou a aquecer para ir embora, uma inovação táctica extraordinária que poderá revolucionar o futebol moderno: o 4-3-3 com Uber à porta. Entretanto, Jesus mantém a porta aberta, Cristiano continua disponível e a Federação garante que o capitão é importantíssimo. Estamos, portanto, perante três pessoas que querem exactamente a mesma coisa e conseguiram transformar isso numa crise nacional. É esta capacidade de complicar o que estava resolvido que nos distingue enquanto portugueses. Se entregássemos a construção das pirâmides à Federação, ainda hoje estaria reunida uma comissão para decidir onde pôr o primeiro calhau. Agora falta a reconciliação. Sugiro Fátima: Cristiano entra descalço pela esquerda, Jorge Jesus aparece pela direita e Pedro Proença fica no meio com uma pomba branca, o regulamento disciplinar e dois seguranças. Depois abraçam-se, tiram uma fotografia e anunciam que nunca existiu qualquer problema. E finalmente Portugal poderá regressar ao essencial: criar o próximo. by Tzé Polvinho 2026






















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